Lugares Simoneanos — Uma leitura do território através da obra de Simão Froes de Lemos

Jornadas da História e do Património

Pernes, 4 de julho de 2026

Síntese da conferência do Engº Luís Duarte Melo
O Engº Luís Duarte Melo na sua alocução (Fot. Vitor Serrão)

O Engº Luís Duarte Melo na sua alocução (Fot. Vitor Serrão)

Na sessão das Jornadas da História e do Património realizada em Pernes, Luís Duarte Melo apresentou a comunicação “Lugares Simonianos”, uma reflexão sobre os espaços associados à vida, obra e memória de Simão Froes de Lemos, autor da Notícia Histórica e Topográfica da Vila de Alcanede (1726). 

A intervenção propôs uma abordagem inovadora: transformar o legado literário e histórico do autor num percurso físico e simbólico, capaz de ligar o território à sua narrativa e de aproximar o público da história local.

A proposta parte da ideia de que os “lugares simonianos” — aqueles que Froes de Lemos descreveu, estudou ou habitou — constituem um mapa de identidade que atravessa séculos. A futura rota literária pretende permitir ao visitante percorrer os cenários históricos e naturais mencionados na Notícia Histórica, revelando a continuidade entre o texto e o território.

Entre os pontos destacados por Luís Duarte Melo figuram a Vila de Alcanede, com o seu Castelo, Igreja Matriz, Paços do Concelho e Pelourinho, bem como a Igreja da Misericórdia, a Anta-Capela de Alcobertas e a Lapa de Alcobertas, exemplos notáveis da coexistência entre património natural e religioso. A Quinta da Franca, onde Froes de Lemos viveu e escreveu a sua obra, surge como núcleo simbólico da rota — espaço de memória, mas também de observação da biodiversidade: de recordar que aqui foi recentemente inaugurada uma Estação de Biodiversidade, que integra ciência cidadã, conservação da natureza e valorização do património histórico e ambiental.

Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Alcanede (Fot. Luís Melo)

Entre natureza e cultura

A comunicação evocou também os “lugares da natureza” descritos por Froes de Lemos, como as “Coizas extraordinárias da natureza”, as formações típicas da paisagem cársica, as pedras para embrechados, a Ribeira dos Moinhos, o Monte de Capelas, e as referências a Potes, Talhas, Telha e Tijolo, testemunhos da economia artesanal e da relação entre o homem e a matéria. O Polje de Mira-Minde, os Olhos de Água do Alviela e a Quinta do Alviela completam este itinerário, revelando a dimensão ecológica e geográfica da escrita simoniana.

De Alcanede a Pernes — um território literário

A rota estende-se à Vila de Pernes, onde se destacam o Paço do Concelho, a antiga cadeia e Torre do Relógio, o Monte de Pernes, a Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia e a Quinta de São Silvestre, local de formação jesuíta e de tradição artesanal. Os rios e moinhos de Pernes completam o percurso, simbolizando o movimento contínuo da história e da vida comunitária.

Paço do Concelho e Torre do Relógio (Fot. Vitor Serrão)

Território, literatura e identidade

Na sua intervenção, Luís Duarte Melo sublinhou que esta proposta de rota literária visa reunir património, paisagem e memória, permitindo que o público “leia” o território como um texto vivo. A iniciativa reforça a ligação entre história local e património cultural, e insere-se nas comemorações do Tricentenário da Notícia Histórica de Alcanede e Pernes, que celebram a atualidade e o valor da obra de Simão Froes de Lemos para a historiografia regional e nacional.

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