Simão Froes de Lemos

Sobre Simão Froes de Lemos



Simão Froes de Lemos nasceu em Pernes, a 31 de agosto de 1675, filho de Gonçalo Froes de Lemos e de Francisca Micaela da Fonseca. Terá recebido a sua formação inicial, incluindo o estudo do latim, no colégio jesuíta da Quinta de São Silvestre de Pernes.



Seguiu a carreira militar, servindo a Coroa nas armadas e exercendo funções como capitão do Regimento de Infantaria da Comarca de Santarém. Participou nas campanhas do Alentejo durante a Guerra da Sucessão de Espanha (1706–1710).



Terminada a guerra, aprofundou contactos com figuras relevantes da vida cultural portuguesa do seu tempo, o que contribuiu para o desenvolvimento da sua atividade como erudito, historiador, genealogista e antiquário. Manteve correspondência com vários autores e intelectuais e participou ativamente nas academias surgidas em Santarém ao longo da primeira metade do século XVIII, no contexto do Iluminismo e da criação da Academia Real da História Portuguesa.



A sua obra mais importante é a “Notícia Histórica e Topográfica da Vila de Alcanede”, redigida em 1726, na Quinta da Franca, em Alcanede, onde residiu até ao final da vida. Trata-se de um vasto levantamento histórico, geográfico, social e institucional do antigo termo de Alcanede, revelador do espírito enciclopédico do autor e da influência da tradição corográfica da época.



A obra conheceu ampla circulação manuscrita no século XVIII. Dois exemplares autógrafos foram oferecidos a eruditos do seu círculo, vindo a integrar importantes bibliotecas, nomeadamente a do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a Biblioteca Pública de Évora. É conhecida a existência de outras cópias posteriores.



Para além desta obra, Froes de Lemos produziu escritos de natureza genealógica, histórica e crítica, conservados em manuscrito, bem como textos resultantes da sua participação nas academias escalabitanas. Demonstrou ainda interesse pela arqueologia e pelo colecionismo de moedas antigas encontradas na região.



Teve igualmente um papel ativo na vida pública local, exercendo cargos como Juiz Ordinário e Procurador-Geral da vila de Alcanede.



Por testamento, instituiu um morgado com sede na Quinta da Franca, destinado à sua família. Faleceu a 10 de fevereiro de 1759, na referida quinta, e foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora da Purificação de Alcanede.