Dia da Espiga – Quinta-feira da Ascenção
“Se chover no Dia da Ascensão, as espigas darão pão.”
Hoje celebra-se o Dia da Espiga, tradição que remonta a tempos muito anteriores ao cristianismo. Tal como acontece com “As Maias”, este dia preserva vestígios de antigos rituais pagãos ligados à celebração da primavera e da fertilidade da terra.
Mais tarde, a festa foi cristianizada e passou a assinalar a subida de Jesus ao Céu, quarenta dias após a Páscoa.
Nos tempos antigos, este era o momento simbólico da terra-mãe, quando a natureza renascia e o ciclo agrícola se renovava.
A primavera era vista como um milagre contínuo — mas ao meio-dia tudo parava: dizia-se que “as águas dos rios não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam”, formando o sinal da cruz.
Segundo a tradição, neste dia colhe-se o Ramo da Espiga, símbolo de fertilidade, proteção e alegria. Deve incluir: espigas de trigo (em número ímpar), para garantir pão e abundância; ramo de oliveira, para que haja paz e nunca falte o azeite; malmequeres, que representam alegria, ouro e prata; papoilas, símbolo de amor e vida; alecrim, para saúde e força.
O ramo é depois colocado atrás da porta principal da casa, onde permanece durante um ano, sendo substituído no Dia da Espiga seguinte.

