As Igrejas de Alcanede e de Pernes no período medieval
A informação contida no “Rol das várias Igrejas de que o Rei é Padroeiro nos Bispados do Porto, Lamego, Tui, Coimbra e Lisboa”, atribuída ao período 1220-29, atesta a pertença da “Ecclesie De Alcanedi”, e das suas paróquias filiais – “Sancta Maria de Alcanedi” e “Sanctus Johannes de Alcanedi” – ao padroado régio, significando que cabia aos monarcas aqui apresentar clérigos e usufruir dos direitos coletados.
É deste período o nome do mais antigo clérigo conhecido da Igreja de Alcanede: “Donus Julian psbter de Alcaneto”.

A doação do padroado da Igreja de Santa Maria de Alcanede à Ordem de Avis por D. Dinis, em 1299, veio reforçar a presença desta ordem militar numa região que já administrava no plano temporal há mais de um século. Contudo, em 1309, D. Dinis resolveu entregar o padroado da Igreja de São João de Pernes ao bispo de Lisboa.
Deste modo, passou a caber à diocese lisboense administrar diretamente tanto a igreja de Pernes, supervisionando em paralelo as funções de culto desempenhadas pelos clérigos, como a Igreja de Alcanede. Um modelo que coincidiu com um alinhamento e administração eclesiástica mais territorial sujeita à jurisdição do Bispo de Lisboa, com as ordens militares a cederem alguns dos territórios que até aí compunham os seus domínios.
Assim, a prevalência da Ordem de Avis em Alcanede reduziu-se às propriedades da comenda, criando-se com a renovada importância da Igreja de Santa Maria uma nova centralidade religiosa suscetível de reforçar o poder desta instituição.
No plano litúrgico e cerimonial, a igreja matriz de Alcanede, dedicada a Nossa Senhora da Purificação, ganhou uma preponderância no território da atual união de freguesias de Alcanede, na qual se podem identificar alguns dos “raçoeiros” ou “beneficiados” que desempenhavam o culto, com vínculos em ambas as igrejas.
