Canal do Alviela
Uma das mais importantes obras públicas realizadas em Portugal nos finais do século XIX, foi a construção do Canal do Alviela, no reinado de D. Luís I. A água vinda de Belas (Sintra), e que chegava a Lisboa pelo Aqueduto das Águas Livres desde meados do século XVIII era insuficiente para responder ao crescimento populacional da capital.
A solução é a nascente dos Olhos de Água, a 114 km de distância. Entre a CAL- Companhia das Águas de Lisboa e os proprietários das indústrias situadas na Ribeira de Pernes, é estabelecido um acordo em que, no verão, 2/3 do volume de água seria canalizado para Lisboa e 1/3 para o rio, por forma a alimentar as indústrias locais.
Para a construção do Canal são expropriadas em 1875, por utilidade de pública, um significativo número de parcelas de propriedades. Na freguesia da Louriceira são expropriadas 108 parcelas, 26 na freguesia de Pernes, 34 em S. Vicente do Paúl, 4 em Achete e 8 em Alcanhões. Na freguesia de Pernes, os herdeiros do Visconde de Andaluz e Pedro António do Vadre de Pina Manique são os que maior número de parcelas têm expropriadas.
As obras na região, na secção entre os Olhos de Água e a Boca das Três Valas (Vala da Asseca), numa extensão de 32 km, começam no início de 1876. O Diário do Governo de 31/1/1876 anuncia “Aceitam-se propostas para o fornecimento de pedra, cal e areia, a apresentar em Pernes ao chefe da Secção ou nos escritórios da Companhia em Lisboa.”. Mulheres e crianças recolhem pedras pelos campos que entregam a fornecedores da obra.
A procura de pessoal especializado, nomeadamente pedreiros é notória. São sucessivos os anúncios no Diário do Governo, durante os anos de 1876 e 1877. “Precisam-se pedreiros para as obras do Canal do Alviela em Pernes, Almoster, Ota e Alhandra, tanto a jornal, como por contrato anual, sendo neste caso o trabalho em todos os dias, menos domingos e dias santos, e tanto de verão como de inverno, de quinzenas ou aos mezes, como se combinar.” DG 19/11/1877.
A água, correndo por gravidade, dada a diferença de altitude entre a nascente e a capital chega a Lisboa a 3/10/1880, data da inauguração da chamada Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, onde hoje se localiza o Museu da Água.
