
D. Afonso Henriques n.c. 1109, provavelmente em Guimarães, era filho dos Condes de Portucale, D. Henrique e de D. Teresa de Leão. Herdeiro do Condado Portucalense, passou a intitular-se Rei dos Portugueses a partir de 1139, reinou “de jure” desde 1143, foi reconhecido como primeiro soberano do reino independente de Portugal em 1179, e faleceu em 1185.
Por sua vez, D. Gonçalo de Sousa, n.c. 1120, é dado por filho de Mem Viegas de Sousa e de Teresa Fernandes de Marnel. Foi chefe da família Sousa, Senhor de Eixo, Requeixo, Lamas, Óis da Ribeira, Carvalhosa, Eiriz, São Pedro de Ferreira e Unhão. Morreu c. 1190 e foi sepultado no Mosteiro de Pombeiro, de que foi padroeiro.
Homem de confiança de D. Afonso Henriques, de quem foi mordomo-mor entre 1156 e 1167, Gonçalo de Sousa terá sido um dos escassos cavaleiros a quem o Rei dos Portugueses revelou em grande segredo, em março de 1147, o plano de conquista de Santarém, o novo alvo depois de Leiria, que conquistara dois anos antes.
Poucos anos depois, D. Afonso reforçava a presença dos Templários a norte de Santarém com a doação, em julho de 1157, de oito moinhos existentes no Alviela, em Pernes, e prometeu-lhes a posse dos que aí edificassem. Contudo, concedeu o território da Ribeira de Pernes ao termo da vila de Santarém.
Para a história ficou que coube a estes dois personagens a fundação da vila e do castelo de Alcanede, no contexto de emergência de Portugal como reino soberano. Na base desta história fundacional está um documento de fevereiro de 1163 do Livro de D. João Teotónio, Prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, no qual o “rei Afonso dos portugueses” confirma que:
Dei e concedi ao meu fiel vassalo Gonçalo Mendes de Sousa aquele lugar de Alcanede com tal condição que ambos possuamos a dita povoação, no qual lugar nunca parece que a houve. Também nos apraz dar e conceder todo o eclesiástico deste povoado ao mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
A partir de 1187, com a doação do castelo de Alcanede aos Freires de Évora, D. Sancho I, filho do “Conquistador”, recompensava a futura Ordem de S. Bento de Avis pelos serviços prestados na Reconquista, envolvendo-a na defesa e povoamento de um território oficialmente considerado como ermo e despovoado.
(Do novo livro de Luís Duarte Melo: “Instituições, Famílias e Figuras na História de Alcanede e Pernes”)
