O “Santo Corpo”
Grande foi o alvorôço vivido em Alcanede a 20 de outubro de 1499, quando os habitantes da Vila saíram a receber o solene cortejo de trasladação dos restos mortais de D. João II, efetuado entre a Sé de Silves e o Mosteiro da Batalha.
O saimento do “Príncipe Perfeito” era assim descrito por Garcia de Resende:
“meteram o ataude em hũas andas cubertas de brocado; e assi os cavalos que as levavam com suas guarnições de brocado; e dous pajes que hiam encima dos cavalos vestidos de veludo preto; e os arcebispos e bispos com ele; e oitenta capelães e cantores com capas ricas cada hum com sua tocha acesa na mão dhũa parte e da outra todos a cavalo; e diante muitas trombetas, charamelas, sacabuxas, e tambores; e diante do sancto corpo hũa cruz da capela e muitos condes e senhores e fidalgos e gente honrada que acompanhavam o sancto corpo”.
Foi exigente a missão de D. Lopo de Sousa, alcaide-mor e comendador de Alcanede, de Frei Fernando Soeiro, prior da Matriz, e dos seus beneficiados, para estarem à altura deste acontecimento de Estado revestido de elevada carga simbólica. Para além de alojar este pomposo cortejo, coube à Colegiada da Matriz executar as solenes exéquias, em cumprimento do rigoroso programa litúrgico.
Luis Melo
